Resumo 

A menopausa é um período natural na vida das mulheres, marcado por uma série de sintomas que podem afetar significativamente a qualidade de vida. A terapia hormonal (TH) tem sido amplamente utilizada para aliviar esses sintomas, mas seu impacto abrangente na qualidade de vida ainda é objeto de debate. Esta revisão integrativa teve como objetivo analisar criticamente a literatura existente sobre o impacto da TH na qualidade de vida de mulheres na menopausa, considerando tanto os benefícios quanto os riscos associados ao tratamento. Foram incluídos 15 estudos publicados entre 2000 e 2023, abrangendo ensaios clínicos randomizados, estudos observacionais e coortes. Os resultados demonstram que a TH é eficaz na redução dos sintomas vasomotores, como ondas de calor e suores noturnos, e na melhoria da saúde urogenital, resultando em uma qualidade de vida sexual superior. Além disso, a TH mostrou benefícios na saúde mental, reduzindo sintomas de ansiedade, depressão e irritabilidade, e na preservação da densidade óssea, diminuindo o risco de osteoporose e fraturas.  No entanto, a revisão também identificou riscos significativos associados à TH, incluindo um aumento no risco de câncer de mama, doenças cardiovasculares e tromboembolismo venoso. Esses riscos variam de acordo com a duração da terapia, a dose e o tipo de hormônios utilizados. Assim, a decisão de iniciar a TH deve ser cuidadosamente ponderada, considerando os benefícios e riscos individuais. A educação das pacientes sobre os potenciais benefícios e riscos é crucial para a tomada de decisão informada. Além disso, alternativas não hormonais, como inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), terapias à base de plantas e mudanças no estilo de vida, devem ser exploradas como opções viáveis para mulheres que não podem ou preferem não utilizar TH. Em conclusão, a TH pode proporcionar melhorias significativas na qualidade de vida de mulheres na menopausa, mas deve ser utilizada com cautela e de forma individualizada. A pesquisa contínua é essencial para compreender melhor os efeitos a longo prazo da TH e para desenvolver diretrizes clínicas que otimizem o manejo da menopausa.

Palavras-chave: Terapia Hormonal. Menopausa. Qualidade de Vida.

 

 

Abstract 

Menopause is a natural period in women’s lives, marked by a series of symptoms that can significantly affect quality of life. Hormone therapy (HT) has been widely used to alleviate these symptoms, but its comprehensive impact on quality of life is still a subject of debate. This integrative review aimed to critically analyze the existing literature on the impact of HT on the quality of life of menopausal women, considering both the benefits and risks associated with treatment. Fifteen studies published between 2000 and 2023 were included, including randomized controlled trials, observational studies, and cohort studies. The results demonstrate that HT is effective in reducing vasomotor symptoms, such as hot flashes and night sweats, and in improving urogenital health, resulting in a superior quality of sexual life. In addition, HT has shown benefits in mental health, reducing symptoms of anxiety, depression, and irritability, and in preserving bone density, decreasing the risk of osteoporosis and fractures. However, the review also identified significant risks associated with HT, including an increased risk of breast cancer, cardiovascular disease, and venous thromboembolism. These risks vary according to the duration of therapy, the dose, and the type of hormones used. Therefore, the decision to initiate HT should be carefully considered, considering the individual benefits and risks. Educating patients about the potential benefits and risks is crucial for informed decision-making. In addition, nonhormonal alternatives, such as selective serotonin reuptake inhibitors (SSRIs), herbal therapies, and lifestyle changes, should be explored as viable options for women who cannot or prefer not to use HT. In conclusion, HT can provide significant improvements in quality of life for menopausal women, but should be used with caution and on an individualized basis. Continued research is essential to better understand the long-term effects of HT and to develop clinical guidelines to optimize the management of menopause.

Keywords:  Hormone Therapy. Menopause. Quality of Life.

 

 

Resumen 

La menopausia es un período natural en la vida de la mujer, marcado por una serie de síntomas que pueden afectar significativamente la calidad de vida. La terapia hormonal (HT) se ha utilizado ampliamente para aliviar estos síntomas, pero su impacto integral en la calidad de vida sigue siendo un tema de debate. Esta revisión integradora tuvo como objetivo analizar críticamente la literatura existente sobre el impacto de la TH en la calidad de vida de las mujeres menopáusicas, considerando tanto los beneficios como los riesgos asociados con el tratamiento. Se incluyeron 15 estudios publicados entre 2000 y 2023, que abarcan ensayos clínicos aleatorios, estudios observacionales y cohortes. Los resultados demuestran que la TH es efectiva para reducir los síntomas vasomotores, como los sofocos y los sudores nocturnos, y mejorar la salud urogenital, lo que resulta en una calidad de vida sexual superior. Además, la THS ha demostrado beneficios en la salud mental, reduciendo los síntomas de ansiedad, depresión e irritabilidad, y en la preservación de la densidad ósea, reduciendo el riesgo de osteoporosis y fracturas. Sin embargo, la revisión también identificó riesgos significativos asociados con la TH, incluido un mayor riesgo de cáncer de mama, enfermedades cardiovasculares y tromboembolismo venoso. Estos riesgos varían según la duración de la terapia, la dosis y el tipo de hormonas utilizadas. Por lo tanto, la decisión de iniciar HT debe considerarse cuidadosamente, considerando los beneficios y riesgos individuales. Educar a los pacientes sobre los posibles beneficios y riesgos es crucial para tomar decisiones informadas. Además, se deben explorar alternativas no hormonales como los inhibidores selectivos de la recaptación de serotonina (ISRS), las terapias a base de hierbas y los cambios en el estilo de vida como opciones viables para las mujeres que no pueden o prefieren no usar TH. En conclusión, la TH puede aportar mejoras significativas en la calidad de vida de las mujeres menopáusicas, pero debe utilizarse con precaución y de forma individualizada. La investigación continua es esencial para comprender mejor los efectos a largo plazo de la TH y desarrollar pautas clínicas que optimicen el manejo de la menopausia.

Palabras clave: Terapia hormonal. Menopausia. Calidad de vida.

 

 

1. Introdução 

A menopausa é um estágio fisiológico inevitável na vida das mulheres, caracterizado pelo término permanente da menstruação e da capacidade reprodutiva devido à diminuição natural dos hormônios ovarianos, especialmente o estrogênio. Este período é frequentemente acompanhado por uma série de sintomas físicos e psicológicos que podem afetar significativamente a qualidade de vida das mulheres. Os sintomas comuns incluem ondas de calor, suores noturnos, secura vaginal, distúrbios do sono, alterações de humor, e declínio na função cognitiva e sexual. Esses sintomas podem variar em intensidade e duração, mas, para muitas mulheres, eles representam um desafio considerável para o bem-estar geral e a saúde mental.

A terapia hormonal (TH) tem sido amplamente utilizada como uma intervenção eficaz para aliviar os sintomas da menopausa e melhorar a qualidade de vida. A TH geralmente envolve a administração de estrogênios, isolados ou combinados com progestágenos, para substituir os hormônios que os ovários deixam de produzir após a menopausa. Diversos estudos têm demonstrado que a TH pode reduzir significativamente os sintomas vasomotores, melhorar a saúde urogenital, e contribuir para a manutenção da densidade óssea. Além disso, há evidências de que a TH pode ter efeitos benéficos sobre o humor e a função cognitiva.

No entanto, a utilização da TH é um tema de debate e controvérsia devido a preocupações com possíveis efeitos adversos a longo prazo, incluindo um risco aumentado de câncer de mama, doenças cardiovasculares, e tromboembolismo venoso. Essas preocupações foram exacerbadas pelos resultados do estudo Women's Health Initiative (WHI) em 2002, que associou a TH com riscos aumentados de vários eventos adversos graves. Desde então, a abordagem à TH tem sido cautelosa.