Resumo
A prevenção de acidentes vasculares cerebrais (AVCs) em pacientes de alto risco é uma prioridade na prática clínica devido à alta morbidade e mortalidade associadas a esses eventos. O uso de biomarcadores emergiu como uma estratégia potencial para aprimorar a estratificação do risco e a personalização das intervenções preventivas. Esta revisão integrativa avaliou a eficácia de vários biomarcadores na previsão de AVCs, focando em indicadores inflamatórios, cardiovasculares e de estresse oxidativo. A análise revelou que biomarcadores como a proteína C-reativa (PCR), o peptídeo natriurético tipo B (BNP), as metaloproteinases de matriz (MMPs), a homocisteína e os indicadores de estresse oxidativo têm mostrado associações significativas com o risco de AVC. A PCR e o BNP destacaram-se como os mais promissores, refletindo inflamação e disfunção cardíaca, enquanto as MMPs e a homocisteína forneceram insights adicionais sobre a patologia vascular. No entanto, a variabilidade na medição e a necessidade de validação em estudos prospectivos são limitações importantes. A integração desses biomarcadores com fatores de risco tradicionais pode oferecer uma abordagem mais precisa para a prevenção de AVCs.
Palavras-chave: Biomarcadores, Acidente vascular cerebral, Estratificação de risco.
Abstract
Stroke prevention in high-risk patients is a priority in clinical practice due to the high morbidity and mortality associated with these events. The use of biomarkers has emerged as a potential strategy to improve risk stratification and personalize preventive interventions. This integrative review evaluated the efficacy of several biomarkers in predicting stroke, focusing on inflammatory, cardiovascular, and oxidative stress indicators. The analysis revealed that biomarkers such as C-reactive protein (CRP), B-type natriuretic peptide (BNP), matrix metalloproteinases (MMPs), homocysteine, and oxidative stress indicators have shown significant associations with stroke risk. CRP and BNP stood out as the most promising, reflecting inflammation and cardiac dysfunction, while MMPs and homocysteine provided additional insights into vascular pathology. However, measurement variability and the need for validation in prospective studies are important limitations. Integrating these biomarkers with traditional risk factors may provide a more accurate approach to stroke prevention.
Keywords: Biomarkers, Stroke, Risk stratification.
Resumen
La prevención de accidentes cerebrovasculares (ACV) en pacientes de alto riesgo es una prioridad en la práctica clínica debido a la alta morbimortalidad asociada a estos eventos. El uso de biomarcadores ha surgido como una estrategia potencial para mejorar la estratificación del riesgo y la personalización de las intervenciones preventivas. Esta revisión integradora evaluó la eficacia de varios biomarcadores en la predicción de accidentes cerebrovasculares, centrándose en indicadores inflamatorios, cardiovasculares y de estrés oxidativo. El análisis reveló que biomarcadores como la proteína C reactiva (PCR), el péptido natriurético tipo B (BNP), las metaloproteinasas de matriz (MMP), la homocisteína y los indicadores de estrés oxidativo han mostrado asociaciones significativas con el riesgo de accidente cerebrovascular. La PCR y el BNP se destacaron como los más prometedores, ya que reflejan inflamación y disfunción cardíaca, mientras que las MMP y la homocisteína proporcionaron información adicional sobre la patología vascular. Sin embargo, la variabilidad de las mediciones y la necesidad de validación en estudios prospectivos son limitaciones importantes. La integración de estos biomarcadores con los factores de riesgo tradicionales puede ofrecer un enfoque más preciso para la prevención del accidente cerebrovascular.
Palabras clave: Biomarcadores, Ictus, Estratificación del riesgo.
1. Introdução
Os acidentes vasculares cerebrais (AVCs) representam uma das principais causas de morbidade e mortalidade global, com implicações significativas para a saúde pública e a qualidade de vida dos pacientes. A prevenção primária e secundária desses eventos é crucial para reduzir a carga da doença e melhorar os desfechos clínicos. No entanto, a identificação precoce dos pacientes em risco elevado de AVC e a implementação de estratégias preventivas eficazes permanecem desafios importantes na prática clínica. O uso de biomarcadores emergiu como uma ferramenta potencial para aprimorar a estratificação do risco e individualizar as intervenções preventivas.
Biomarcadores são indicadores biológicos mensuráveis que refletem processos patológicos ou fisiológicos e podem fornecer informações valiosas sobre o risco de doenças específicas. No contexto dos AVCs, vários biomarcadores têm sido investigados quanto à sua capacidade de prever a ocorrência de eventos vasculares. Entre os biomarcadores de interesse estão os níveis de proteínas inflamatórias, marcadores de disfunção endotelial e indicadores de estresse oxidativo, que podem oferecer insights sobre a presença de doenças subjacentes e alterações no estado vascular que precedem um AVC.
O conceito de estratificação do risco baseado em biomarcadores permite a identificação de pacientes com risco elevado de AVC antes que o evento ocorra, possibilitando a implementação de intervenções preventivas direcionadas. Estudos recentes têm mostrado que biomarcadores como a proteína C-reativa (PCR), o peptídeo natriurético tipo B (BNP) e as metaloproteinases de matriz (MMPs) podem estar associados a um risco aumentado de AVC, refletindo processos inflamatórios e alterações na integridade da parede vascular. Essas descobertas sugerem que a integração de biomarcadores na avaliação de risco pode melhorar a precisão na previsão de AVC e a personalização das estratégias preventivas.
A eficácia da utilização de biomarcadores na prevenção de AVC também depende da compreensão de como esses indicadores se correlacionam com os fatores de risco tradicionais, como hipertensão, diabetes e hiperlipidemia. A combinação de biomarcadores com informações clínicas e fatores de risco tradicionais pode oferecer uma abordagem mais robusta e individualizada para a prevenção de AVC, potencialmente melhorando os resultados e reduzindo a incidência de eventos vasculares cerebrais.
Portanto, esta revisão tem como objetivo avaliar o papel dos biomarcadores na prevenção de AVCs em pacientes de alto risco, analisando a literatura existente sobre a eficácia e a aplicabilidade desses indicadores na prática clínica. Ao integrar dados sobre a capacidade preditiva dos biomarcadores e sua utilidade na estratificação do risco, esta análise pretende fornecer uma base para futuras pesquisas e a implementação de estratégias preventivas baseadas em biomarcadores.
2. Metodologia
Esta revisão integrativa adota uma abordagem sistemática para a análise do uso de biomarcadores na prevenção de acidentes vasculares cerebrais (AVCs) em pacientes de alto risco. A revisão integrativa é adequada para sintetizar e interpretar evidências de diferentes tipos de estudos, fornecendo uma compreensão abrangente sobre a eficácia e a aplicabilidade dos biomarcadores na prevenção de AVCs.
Foi realizada uma busca extensiva em bases de dados eletrônicas, incluindo PubMed, Scopus, Web of Science e Cochrane Library, abrangendo o período de janeiro de 2000 a dezembro de 2023. Os termos de busca utilizados incluíram combinações de palavras-chave e descritores como "biomarcadores", "acidente vascular cerebral", "prevenção de AVC", "pacientes de alto risco", "estratificação de risco" e "indicadores de risco cardiovascular". Operadores booleanos (AND, OR) foram aplicados para refinar as buscas, e filtros foram utilizados para limitar os resultados a estudos humanos e artigos revisados por pares.
Os critérios de inclusão para esta revisão foram: (1) estudos que investigaram a utilidade de biomarcadores na previsão e prevenção de AVCs em pacientes de alto risco; (2) pesquisas com foco em biomarcadores específicos e sua relação com a estratificação do risco de AVC; (3) estudos empíricos que incluíram ensaios clínicos, estudos observacionais, e estudos de coorte. Foram excluídos: (1) estudos que não forneceram dados sobre a eficácia dos biomarcadores na prevenção de AVC; (2) artigos que não estavam disponíveis em texto completo ou cujas informações não eram acessíveis; (3) revisões de literatura, editoriais, e opiniões sem dados primários.
A seleção dos estudos seguiu um processo de triagem em duas fases. Na primeira fase, foram revisados os títulos e resumos dos artigos identificados para verificar a conformidade com os critérios de inclusão e exclusão. Na segunda fase, os artigos potencialmente relevantes foram avaliados na íntegra para confirmar sua adequação. A seleção foi realizada independentemente por dois revisores, com a resolução de discrepâncias por consenso ou pela consulta a um terceiro revisor.
Os dados foram extraídos utilizando um formulário padronizado que incluiu: (1) características do estudo (autores, ano de publicação, tipo de estudo, país); (2) características da amostra (tamanho da amostra, características demográficas dos participantes).